Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

REGIONALIZAÇÃO: É FRACTURANTE, NÃO É, DRA. MFLEITE?.

              Ao definirem a regionalização como nova bandeira política, ao mesmo tempo que a definem como fracturante  na nossa sociedade a requerer momento oportuno para a sua  implementação, é de comezinha honestidade política explicar porque é fracturante e de que especiais condições carece para determinar a sua bondade. Afirmar, pelo contrário, para apaziguar alguns guerreiros, que é uma questão como outra qualquer significa  que há pessoas nessa causa envolvidas que não merecem a mínima credibilidade política - ou são ignorantes,  ou, objectivamente, comprometem a nossa democracia e independência.      

               Cumpria explicar aos portugueses quando e porque foi consignada na Constituição de 1976, porque não foi implementada, porque foi a referendo e recusada em 1998 e, finalmente, porque defendem agora a sua urgência. O mesmo se deve exigir a outros partidos que a estão a introduzir na agenda política e ao próprio Governo que declarou  estar já a tomar medidas  no terreno que se encaixarão na futura regionalização, uma decisão às escondidas dos portugueses que deve merecer a atenção do Presidente da República.

              Logo após o 25 de Abril de 1974, Portugal foi o centro, na Europa, de disputa entre as duas superpotências na altura (ex-URSS e E.U.A.) pelo seu controle através de partidos que representavam os seus interesses. A história da regionalização em Portugal inicia-se neste contexto político que conduziu a que fosse consignada na Constituição de 1976, expediente alternativo para garantirem a sua influência política, dividindo-o em vários pólos de poder. Este foi o primeiro momento oportuno, decorrente de forte pressão exterior.

              Entretanto a democracia tinha triunfado no 25 de Novembro de 1975, com a derrota do golpe inspirado por Moscovo e desencadeado pelos partidos  seus representantes em Portugal e o fervor por essa reivindicação arrefeceu, mais ainda quando uma das superpotências claudicou anos mais tarde. A regionalização foi "esquecida". Aliás, a regionalização inseria-se ainda num projecto de esvaziamento do poder municipalista por ser de difícil controle partidário.            

               O Referendo de 1998 surge num momento em que a UE buscava concentrar mais poderes no seu centro para uma unidade europeia mais forte, sempre à custa do enfraquecimento das periferias. Alguns partidos tentam extrair vantagens dessa política com a regionalização mas os portugueses disseram não. A questão voltou a "adormecer". Este foi o segundo momento oportuno decorrente da cada vez mais forte pressão externa.

              Porque sobe de novo à ribalta? Pelas mesmas razões anteriores. agora ainda mais fortes como o atesta o novo Tratado Europeu, com as decisões comunitárias mais concentradas em três ou quatro países europeus a exigirem a fragmentação do poder nas periferias de que Portugal faz parte; acresce ainda a circunstância especial de irmos receber os últimos chorudos fundos de coesão de 21,5 mil milhões de euros que representam 44 mil milhões de euros de investimentos nos próximos anos. Este é o terceiro momento oportuno, decorrente da intensificação da pressão externa, acompanhada por muito dinheiro, tornando-o um momento especial...

              Sou daqueles cidadãos que decidiu apoiar a nossa adesão à CEE/UE por uma razão especial: oportunidade de, em boa medida, contornar obstáculos históricos com o nosso único vizinho, entre outras. Não faria sentido agora fragilizar o poder central a favor de regiões administrativas que um dias destes estariam nas mãos de "botas", "pintos da costa", "majores" e quejandos. 

              A um cada vez maior reforço do poder central da UE deve corresponder uma melhoria do exercício do poder em Portugal, com boas políticas , visando o bem estar das grandes massas populares, abandonando preconceitos reacionários e mentalidades ultramontanas, do género "cama e mesa e roupa lavada".  

              Cometerá este ou outro Governo erro estratétigo  trágico se não acompanhar desde já os avultados investimentos previstos com sensível melhoria das condições salariais e redução de impostos dos trabalhadores em geral. Com trabalhadores a ganhar 400, 600, 700 euros  e a pensar no dinheiro para alimentar a família no dia seguinte, não há investimento que alavanque (como agora soe dizer-se) o país do atraso em que se encontra no contexto europeu.

               Se pensam que com muito dinheiro, bons planos, boa gestão e trabalhadores cada vez mais pobres vão atingir os objectivos, estão muito enganados. No final vão descobrir centenas de novos ricos  e o país pobre, entregue ao grande capital internacional.

              Poderá surgir aí o quarto momento crucial para a regionalização, segundo a minha leitura da Dra. MFLeite: "Este não é o momento para discutir uma questão fracturante". Alguém ganhará o poder e dividi-lo-á pelos delegados famintos.

              Que até pode ser o seu "renovado" partido, ou o do actual governo "renovado" da mesma maneira. Também com os seus "barões" a calçarem as pantufas de subtil regalo, a "cederem" o lugar a delegados famintos.

              Dito isto, abaixo a regionalização.

 

 

 

publicado por camaradita às 18:08
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